Psicóloga sistêmica ou terapeuta sistêmica? Entenda a diferença antes de escolher
Para iniciar esse papo, quero que não esqueça: nem tudo que é sistêmico é psicologia.
Nos últimos anos, o termo "sistêmico" se popularizou. Ele aparece em cursos, terapias alternativas, práticas de autoconhecimento e até em conteúdos de redes sociais que prometem resolver conflitos familiares, padrões de relacionamento e traumas geracionais. O problema é que boa parte dessas práticas não tem qualquer relação com a Psicologia, e isso pode representar um risco real para quem busca ajuda.
A Psicologia é uma ciência, reconhecida e regulamentada, composta por diferentes áreas, abordagens e campos de atuação. Dentro dela, a abordagem sistêmica compreende o sujeito a partir de suas relações e dos contextos nos quais está inserido, olhando para padrões de interação, vínculos, ciclos de vida, lealdades e dinâmicas familiares. É uma forma de entender que as experiências individuais também acontecem dentro de contextos relacionais, e que muitas vezes um sofrimento individual só faz sentido quando olhamos para o sistema em que essa pessoa está inserida.
Para atuar dessa forma, o profissional precisa ter formação em Psicologia e, especificamente, formação em Psicoterapia Sistêmica, que costuma exigir anos de estudo teórico, supervisão clínica e prática orientada. Não é um conhecimento que se adquire em um curso de fim de semana ou em um certificado emitido por quem também não tem essa formação.
O uso indevido do termo "sistêmico" por pessoas sem formação em Psicologia é perigoso por alguns motivos. Em primeiro lugar, porque questões familiares, de casal e emocionais envolvem uma complexidade que exige conhecimento técnico para ser conduzida com segurança. Uma intervenção mal feita pode aprofundar conflitos, reforçar dinâmicas de sofrimento ou até gerar rupturas que poderiam ser evitadas com um acompanhamento qualificado. Em segundo lugar, porque quem busca esse tipo de ajuda geralmente está em um momento de vulnerabilidade, o que torna ainda mais importante que o cuidado seja conduzido por alguém preparado para lidar com isso de forma ética e responsável.
Também é importante lembrar que apenas psicólogos e psicólogas devidamente registrados no Conselho Regional de Psicologia (CRP) estão habilitados a realizar psicoterapia. Isso significa que, antes de iniciar qualquer acompanhamento, vale a pena pesquisar a formação do profissional e confirmar se ele possui registro ativo. Essa verificação pode ser feita diretamente no site do Conselho Federal de Psicologia, e é um cuidado simples que protege quem busca ajuda.
Cuidar da sua saúde mental começa antes da primeira sessão, começa na escolha de quem vai te acompanhar. Se você está buscando uma abordagem sistêmica de verdade, verifique a formação, o registro no CRP e, se tiver dúvidas, pergunte diretamente ao profissional sobre sua trajetória. Você merece um cuidado que seja, de fato, ético e cientificamente fundamentado.
Espero que minhas reflexões façam sentido pra ti e possam te ajudar de alguma forma.
Com carinho,
Psicóloga Ana Flavia de Souza
Psicoterapeuta de indivíduos, casais e famílias.