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Quando o medo de perder ocupa espaço demais na relação

Foto do escritor: Ana Flavia Souza
Ana Flavia Souza
24 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 25 de ago.

Você já sentiu que precisava de sinais constantes de que estava tudo bem no relacionamento? Que uma mensagem que demorou mais do que o habitual para chegar foi suficiente para despertar preocupação, insegurança ou pensamentos sobre o que poderia estar acontecendo?


Em alguns relacionamentos amorosos, a proximidade pode vir acompanhada de uma preocupação intensa com a possibilidade de perder o outro. A pessoa pode desejar muito a intimidade e, ao mesmo tempo, sentir dificuldade para lidar com momentos de distância, silêncio ou incerteza.


Essas experiências podem estar relacionadas ao que a teoria do apego descreve como apego ansioso. Ele está associado a uma maior preocupação com a disponibilidade e a responsividade do parceiro, especialmente diante de situações que podem ser percebidas como sinais de afastamento.


O modo como uma pessoa se relaciona não é imutável. As experiências ao longo da vida e os relacionamentos que construímos podem contribuir para o desenvolvimento de formas mais seguras de se relacionar. A psicoterapia também pode favorecer esse processo. Por isso, mais do que pensar em um rótulo, pode ser interessante compreender como a pessoa busca segurança dentro do relacionamento.


O apego ansioso nos relacionamentos pode se manifestar de diferentes maneiras, como:

  • necessidade frequente de confirmação de que é amada;

  • medo de abandono;

  • dificuldade em lidar com a distância do parceiro;

  • preocupação quando o outro demora a responder;

  • dificuldade para se tranquilizar mesmo depois de receber uma confirmação;

  • pensamentos recorrentes sobre o futuro da relação.


Sentir insegurança ocasionalmente não significa ter um padrão de apego ansioso. Em determinados momentos, qualquer pessoa pode precisar de mais proximidade, especialmente diante de mudanças, conflitos ou experiências de perda.


A questão está menos em um comportamento isolado e mais na forma como esses padrões se repetem e interferem na experiência de estar em uma relação.


Em alguns casais, quando um dos parceiros busca constantemente confirmação e o outro tende a responder com afastamento, necessidade de espaço ou dificuldade para conversar sobre o que está acontecendo, pode surgir um ciclo difícil de interromper.

Quanto mais um procura proximidade, mais o outro pode sentir necessidade de distância. Quanto mais o outro se afasta, maior pode ser a ansiedade de quem teme perder a relação.

Dessa forma, aquilo que inicialmente parece ser apenas uma questão individual pode se transformar em um padrão no relacionamento.


Uma pergunta importante nesse contexto pode ser:

O que acontece entre o casal quando um sente medo e o outro se afasta?

Essa pergunta ajuda a deslocar o olhar do comportamento de cada pessoa isoladamente para a dinâmica que se constrói entre os dois.


Quando falamos sobre apego ansioso, o desafio não é deixar de desejar proximidade ou deixar de precisar do outro. Construir segurança envolve encontrar maneiras de experimentar proximidade sem perder a individualidade e autonomia sem transformar a distância em ameaça.


As experiências relacionais ao longo da vida podem contribuir para a construção de novas formas de se relacionar. Uma relação pode se tornar um espaço importante para desenvolver maior segurança, especialmente quando os parceiros conseguem reconhecer suas necessidades, comunicar o que sentem e responder um ao outro de maneira mais consistente.

Construir segurança também envolve desenvolver recursos internos, reconhecer os próprios medos e compreender de onde eles vêm.


Na terapia de casal, pode ser importante olhar não apenas para o comportamento de cada pessoa, mas para o ciclo que se estabelece entre elas, o que desencadeia a insegurança, como cada um responde, o que o outro interpreta dessa resposta e como esse movimento se repete.

No acompanhamento individual, a psicoterapia pode ajudar a compreender como o apego ansioso tem repercutido na vida da pessoa e em seus relacionamentos, favorecendo a construção de formas mais seguras de se relacionar.


A insegurança faz parte da experiência humana. No entanto, quando o medo de abandono, a necessidade constante de confirmação ou os conflitos relacionados à distância começam a ocupar um espaço significativo na vida do casal ou do indivíduo, a psicoterapia pode ser uma possibilidade de cuidado.


Relacionamentos seguros não são aqueles em que nunca existe insegurança, conflito ou distância. São aqueles em que existe espaço para falar sobre o que se sente, negociar necessidades, reparar rupturas e construir confiança ao longo do tempo.


Se você percebe esses movimentos em seu relacionamento e gostaria de compreendê-los melhor, a psicoterapia pode ser um espaço para olhar para essa dinâmica com mais cuidado.


Espero que este texto tenha contribuído para sua reflexão.

Com carinho,

Ana Flavia de Souza

Psicóloga | CRP 07/32124

Atendimento presencial e online

Contato: 55996408051

 
 

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