Vivendo a vida "certa"? Uma reflexão sobre cobranças, redes sociais e sucesso
Em tempos de mídias sociais e conteúdos que ditam o que se deve ou não fazer, é comum que a sensação de não estar vivendo a vida que deveria viver apareça. Mas o que fazer diante disso?
Diariamente acolho pessoas com tantas cobranças irreais, de um mundo acelerado e informado, ou deveríamos pensar que é um mundo bem desinformado?
Essas cobranças não fazem parte apenas de questões de ordem individual, mas de uma sociedade que excede limites, que vê produtividade e ausência de descanso como sinônimos de sucesso.
Mas convenhamos: o sucesso não deveria ser algo subjetivo? O que é sucesso para mim tem o mesmo significado para você, ou podemos ter significados distintos? Isso é humano, faz parte da nossa existência, das nossas experiências, cultura e realidade atual.
Enquanto pessoa, já estive bastante imersa nesse universo de cobranças, não dos outros, mas minhas mesmo. Trabalho isso em minha terapia pessoal e já evoluí muito nesse sentido, mas preciso sempre estar atenta. Hoje me permito ter momentos de descanso, momentos para fazer coisas que me fazem bem, e não apenas trabalhar o dia todo, como se essa fosse a única atividade capaz de dar valor à minha vida como um todo.
Não podemos ser hipócritas e dizer que você deve simplesmente parar de trabalhar. Vivemos em uma sociedade capitalista, e os recursos financeiros também nos possibilitam acesso a muitas coisas que contribuem, inclusive, para o nosso bem-estar, qualidade de vida e saúde, ou pelo menos deveriam contribuir. Porque nem sempre o dinheiro traz essas coisas: há pessoas que têm condições financeiras, mas não conseguem usufruir delas, e acabam levando uma vida bem diferente daquela que esperavam ou gostariam de viver, mas estão tendo o "sucesso" definido por tantos.
Mas o convite que faço é para você refletir: você está realmente vivendo a vida que deseja? Ou está deixando passar oportunidades por estar "preso" a um ideal de vida que as redes sociais e as mídias definem como certo ou errado?
Há um livro que gosto muito e que ajuda a pensar sobre isso: Sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han.
No fim das contas, viver bem não é sobre seguir um roteiro pronto, mas sobre ter coragem de construir o seu próprio conceito de sucesso, mesmo que ele não caiba em um post, em uma foto ou em uma curtida. Talvez o primeiro passo seja simplesmente parar e se perguntar: essa vida que estou levando é minha, ou é a que me disseram que eu deveria querer?
Refletir sobre isso não é tarefa fácil, e muitas vezes precisamos de ajuda para desconstruir cobranças que carregamos há anos, sem nem perceber de ondevieram.
Se esse texto tocou em algo que você vem sentindo, saiba que a terapia pode ser um espaço seguro para essa construção, no seu tempo, e do seu jeito.
No fim, o que mais importa não é "estou fazendo o suficiente?", mas "estou fazendo o que faz sentido para mim?". E essa resposta só você pode encontrar.
Com carinho,
Ana Flavia de Souza
Psicóloga CRP 07/32124
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